Entenda como o acúmulo de cera no ouvido pode afetar a audição e por que a remoção deve ser sempre feita por um especialista.

O cerume, mais conhecido como cera de ouvido, é uma substância produzida naturalmente pelo organismo e desempenha um papel importante de proteção, funcionando como uma barreira contra poeira, microrganismos e outros corpos estranhos. O problema surge quando o mecanismo natural de eliminação dessa cera falha, permitindo que ela se acumule dentro do canal auditivo. Quando isso acontece, forma-se o chamado cerume impactado — uma espécie de rolha que pode comprometer a audição e gerar bastante desconforto.

Essa condição é mais frequente entre idosos, pessoas que utilizam cotonetes com regularidade e usuários habituais de fones intra-auriculares ou aparelhos auditivos. Entre os sintomas mais comuns estão a sensação de ouvido tampado ou cheio, perda auditiva leve a moderada, zumbido, coceira e, em alguns casos, tontura ou dor. A intensidade desses sinais varia conforme a quantidade de cera acumulada e o grau de obstrução do canal — por isso, algumas pessoas sentem apenas uma leve redução da audição, enquanto outras apresentam um quadro mais completo de sintomas.

Além do uso de cotonetes e fones, outros fatores contribuem para o acúmulo excessivo de cera, como alterações no canal auditivo relacionadas à idade, estreitamento natural ou adquirido do canal e, em alguns casos, simplesmente uma produção de cerume acima da média, sem uma causa específica identificável.

O diagnóstico do cerume impactado é feito pelo otorrinolaringologista, especialista responsável pelos cuidados com ouvido, nariz e garganta — em crianças, o acompanhamento costuma ser feito por um otorrino pediátrico, com equipamentos adequados para exames nessa faixa etária. O exame utilizado é a otoscopia, procedimento indolor que permite visualizar o interior do ouvido, avaliar o grau de obstrução e descartar outras possíveis causas para a perda auditiva, como infecções ou alterações no tímpano.

Uma vez confirmado o diagnóstico, o tratamento pode envolver diferentes abordagens, como a aplicação de gotas cerumenolíticas para amolecer a cera, lavagem auricular realizada em consultório, remoção manual da rolha ou aspiração sob visualização direta. Muitas vezes, mais de uma técnica é combinada para garantir a retirada completa do cerume — e, após o procedimento, a melhora da audição e dos sintomas costuma ser praticamente imediata.

É importante destacar que a lavagem de ouvido só é segura quando realizada por um profissional habilitado, após avaliação médica prévia. Em alguns casos — como suspeita de perfuração do tímpano, otite ativa ou histórico de cirurgia no ouvido — o procedimento não é indicado.

Quanto às tentativas caseiras de remoção, a recomendação é clara: nunca introduzir objetos no canal auditivo, como cotonetes, grampos ou tampas de caneta, já que esses itens tendem a empurrar ainda mais a cera para dentro do ouvido, podendo causar lesões ou até perfurar o tímpano. O uso de velas auriculares, os chamados cones chineses, também não deve ser considerado: além de não haver evidências científicas de sua eficácia, existe risco real de queimaduras e lesões no canal auditivo. Vale lembrar que, em muitos casos, o próprio ouvido consegue eliminar o excesso de cera de forma natural e gradual, sem necessidade de intervenção.

Para evitar episódios de cerume impactado, algumas medidas simples fazem diferença: evitar o uso de cotonetes dentro do canal auditivo, higienizar apenas a parte externa do ouvido, manter a limpeza adequada de fones e aparelhos auditivos e seguir as orientações de higiene auricular recomendadas por profissionais de saúde. Pessoas com produção excessiva de cera ou episódios recorrentes de impactação devem manter acompanhamento regular com um otorrinolaringologista.