Especialista alerta que o diagnóstico tardio, muitas vezes motivado por vergonha ou tabu, reduz significativamente as chances de cura da doença entre os homens.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer colorretal ocupa a segunda posição entre os tipos mais frequentes em homens, atrás apenas do câncer de próstata, e também a segunda posição entre as mulheres, superado somente pelo câncer de mama. As projeções apontam para 30.660 novos casos de câncer de cólon e reto neste ano.
Segundo o coloproctologista, a incidência da doença é praticamente equivalente entre os sexos. O que muda é o comportamento em relação à busca por cuidados médicos. “Ainda existe muito tabu envolvendo assuntos relacionados ao intestino e ao ânus. Isso faz com que muitos homens só procurem atendimento quando a doença já está em estágio avançado”, alerta o especialista.
Entre os principais sintomas do câncer colorretal estão a presença de sangue nas fezes, mudanças no hábito intestinal e emagrecimento sem motivo aparente. Dor abdominal, anemia e a sensação de evacuação incompleta também podem estar presentes no quadro. O médico chama atenção para a importância do diagnóstico precoce, já que, na maioria dos casos, os sintomas só se manifestam quando a doença já está em fase avançada.
“Para tumores localizados no reto baixo e no canal anal, o diagnóstico pode ser feito por meio de exame proctológico, que inclui inspeção, toque retal e anuscopia. Já para o restante do intestino grosso — que tem cerca de 1,5 metro de extensão — a colonoscopia é o exame indicado, permitindo inclusive a identificação e remoção de pólipos, que são lesões precursoras do câncer”, explica. Ele reforça ainda que o rastreamento deve começar aos 45 anos, podendo ser antecipado em casos de histórico familiar da doença.
Quanto à prevenção, o especialista recomenda reduzir o consumo de carnes vermelhas e processadas, manter uma rotina regular de atividade física — já que sedentarismo e obesidade são fatores de risco reconhecidos —, evitar o tabagismo e moderar o consumo de álcool.
O panorama dos números
Entre os homens, desconsiderando o câncer de pele não melanoma, os tipos mais frequentes são: próstata (29,2%), cólon e reto (9,1%), pulmão (7,9%), estômago (5,9%) e cavidade oral (5,0%). Já entre as mulheres, na mesma exclusão, os mais comuns são mama (29,7%), cólon e reto (9,2%), colo do útero (7,5%), pulmão (5,6%) e tireoide (5,4%). O câncer de pele não melanoma, isoladamente, corresponde a 27,1% de todos os casos entre homens e 29,5% entre mulheres.

