Pesquisa na revista BMC Medicine indica o movimento como um dos pilares da prevenção e também do tratamento da dor
Enquanto muita gente se preocupa em trocar panelas e evitar shampoos com ingredientes ligados ao câncer, um hábito com respaldo científico costuma ficar de lado: a atividade física. É o que alerta a fisioterapeuta Renata Tolêdo, especialista em coluna, do Ráquis – Instituto da Coluna.
“Enquanto muitas pessoas procuram panelas, shampoos sem alguns ingredientes que causam câncer, acabam deixando de lado o mais importante: atividade física”, afirma.
O que diz o estudo
A pesquisa, publicada em 18 de julho de 2026 na revista BMC Medicine, foi assinada por John J. Mitchell e colegas, entre eles o epidemiologista Emmanuel Stamatakis. Os pesquisadores analisaram dados de 59.218 adultos do UK Biobank, banco de saúde do Reino Unido, com idade média de 61 anos. Os participantes usaram um acelerômetro no pulso por sete dias, e os pesquisadores acompanharam o surgimento de câncer por cerca de oito anos. Ao todo, 2.385 pessoas (4%) receberam diagnóstico de algum dos 13 tipos de câncer associados à inatividade física: bexiga, cólon, endométrio, cárdia gástrica, cabeça e pescoço, rim, fígado, mama, pulmão, reto, mieloma, adenocarcinoma de esôfago e leucemia mieloide.
Os resultados mostram que mais tempo em movimento, no lugar de tempo sentado ou dormindo, esteve associado a menor risco. Trocar 15 minutos de sedentarismo ou de sono por 15 minutos de movimento correspondeu a uma redução de cerca de 2% no risco. Ficar em pé também apareceu como possível aliado: 30 minutos a mais em pé no lugar de ficar sentado tiveram efeito semelhante.
A intensidade fez diferença. Apenas 3 minutos a mais de atividade vigorosa por dia, no lugar de qualquer outro comportamento, foram associados a um risco cerca de 4% menor. A atividade leve também teve associação com menor risco, mas exigiu mais de 90 minutos diários para efeito comparável. Já o tempo sedentário aparece associado a maior risco.
Movimento também alivia a dor
Os benefícios não se limitam à prevenção. O movimento também é um dos pilares para tratar e diminuir diversas dores. A atividade física melhora ainda a força, a capacidade funcional e a qualidade de vida.
Quem sente dor que impede de se movimentar deve buscar ajuda profissional. “Você não precisa conviver com essa limitação”, conclui.
Serviço: Renata Tolêdo é fisioterapeuta especializada em coluna.
Instagram: @renatatoledofisio e @institutodacolunaes.


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