A baixa umidade e as oscilações de temperatura como fatores que agravam crises respiratórias e alergias durante o fenômeno climático
O Brasil se prepara para enfrentar, entre o fim de 2026 e o início de 2027, um dos episódios de El Niño mais intensos já registrados. Segundo o Centro de Previsão Climática (CPC), ligado à Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há mais de 80% de chance de o fenômeno atingir intensidade excepcional no período, caracterizando o chamado “Super El Niño”. Se confirmado, seria apenas o quinto episódio desse porte registrado nos últimos 150 anos.
Quando se fala em saúde respiratória, a fumaça das queimadas costuma ser a primeira preocupação. Ela, porém, não é o único fator a observar: nos locais onde houver períodos de calor intenso e baixa umidade, o desconforto respiratório também pode aumentar.
“A fumaça irrita as vias respiratórias e pode desencadear ou agravar crises, especialmente em pessoas com asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica, a DPOC. Mesmo longe dos focos de incêndio, quem enfrenta dias muito secos pode perceber piora dos sintomas”, explica a pneumologista Dra. Jaqueline Lunz.
O que o ar seco provoca?
A baixa umidade favorece o ressecamento das mucosas do nariz e da garganta. Seus efeitos podem aparecer como ardência nasal, garganta seca, espirros, tosse e pequenos sangramentos pelo nariz. Em quem já tem uma doença respiratória, esses sintomas merecem atenção especial.
“Pessoas com rinite podem apresentar mais obstrução e irritação nasal. Já na asma, o aumento da tosse, do chiado, do aperto no peito ou da falta de ar pode indicar que a doença não está bem controlada”, esclarece a médica.
O calor intenso acrescenta outro cuidado: a hidratação. Crianças e idosos são particularmente vulneráveis à desidratação, enquanto pessoas com doenças crônicas podem sentir maior dificuldade para realizar atividades físicas nos horários mais quentes.
“O El Niño, por si só, não causa rinite, asma ou DPOC. O que pode acontecer é a intensificação dos sintomas quando a pessoa fica exposta a condições como fumaça, ar seco ou calor excessivo”, pontua a pneumologista.
Quem precisa de atenção redobrada?
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares devem observar mudanças em seu estado de saúde. Para quem já faz tratamento, vale manter o acompanhamento médico, seguir a medicação prescrita e verificar se há remédios suficientes para uso contínuo.
“Beber água regularmente, usar soro fisiológico para aliviar o ressecamento nasal, evitar esforço ao ar livre nos horários mais quentes e reduzir a exposição à fumaça são cuidados importantes”, orienta a Dra. Jaqueline. Se for necessário usar um umidificador, o aparelho deve ser mantido limpo, sem deixar o ambiente excessivamente úmido.
A piora persistente da tosse ou do chiado, assim como o aumento da necessidade de medicação de alívio, pede avaliação médica. “Se houver falta de ar intensa ou dificuldade para falar por causa da respiração, a orientação é procurar atendimento imediatamente”, conclui.

