A cárie continua sendo um dos problemas de saúde mais comuns da infância brasileira. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal mostram que 41,2% das crianças de 5 anos têm dentes com cárie não tratada, e 10% desse grupo já precisa de intervenção de urgência. A pesquisa também revela que mais de um terço das crianças dessa idade (37,17%) nunca foi ao dentista.
Muita gente acredita que dente de leite não merece tanta atenção porque “vai cair mesmo”. É um dos erros mais frequentes, e é justamente nessa fase que os hábitos de cuidado são construídos. Veja o que observar em cada etapa.
Bebês e primeiros dentes (0 a 3 anos)
A mamadeira com açúcar, principalmente à noite, é uma das principais causas de cárie nessa fase, porque os líquidos que ficam na boca enquanto o bebê dorme favorecem o surgimento das lesões. Quando o bebê adormece mamando, a higiene depois da última mamada faz diferença.
A limpeza deve começar assim que o primeiro dente aparecer, geralmente por volta dos seis meses. A recomendação é escovar duas vezes ao dia com creme dental com flúor, em quantidade equivalente a um grão de arroz cru até os 3 anos.
A chupeta também pede atenção. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que, se for oferecida, seja restrita ao primeiro ano de vida. O uso prolongado de chupeta e mamadeira está associado a más oclusões, como a mordida aberta anterior e a mordida cruzada posterior. Quanto mais cedo o hábito é abandonado, maior a chance de os dentes se reorganizarem sozinhos.
Pré-escolares (3 a 6 anos)
Nessa fase, a criança quer escovar sozinha, mas ainda não tem coordenação para uma limpeza eficiente. Os pais devem continuar ajudando, e essa ajuda costuma ser necessária até por volta dos 10 anos. A quantidade de creme dental aumenta para o equivalente a um grão de ervilha. O fio dental entra na rotina quando dois dentes vizinhos começam a se tocar, o que costuma acontecer por volta dos 2 anos.
Escolares (6 a 12 anos)
É a época em que nascem os dentes permanentes, que precisam durar a vida toda. Os primeiros molares permanentes surgem por volta dos 6 anos e costumam passar despercebidos pelos pais, o que os deixa expostos à cárie por mais tempo. Na adolescência, o risco aumenta quando a rotina de cuidados é relaxada.
Também merecem atenção os traumas dentários, comuns em quedas, colisões e esportes. Se um dente permanente quebrar, sair do lugar ou cair após uma pancada, é preciso procurar um dentista imediatamente, pois o tempo faz diferença no tratamento. Dentes tortos, mordida desalinhada e ranger de dentes também devem ser avaliados.
Prevenção e acompanhamento
A prevenção depende de uma rotina simples, mantida todos os dias:
- Escovação: duas vezes ao dia, sendo a da noite a mais importante, sempre com creme dental com flúor.
- Fio dental: a partir do momento em que os dentes começam a se encostar.
- Alimentação: reduzir a frequência de doces, sucos adoçados e lanches ricos em carboidratos, principalmente entre as refeições, e evitar açúcar na mamadeira, sobretudo à noite.
- Sinais de alerta: manchas brancas ou escuras nos dentes, sangramento na gengiva, mau hálito persistente, dor ao mastigar, dente mole ou queda precoce de dente de leite devem levar a criança ao dentista, mesmo fora da data de revisão.
A primeira consulta deve acontecer ainda no primeiro ano de vida, quando surgem os primeiros dentes. Nessa visita, o dentista orienta a família sobre a melhor forma de higiene para aquele bebê. Depois, as consultas costumam ser feitas a cada seis meses, intervalo que pode ser menor para crianças com maior risco de cárie, a critério do profissional. O objetivo é identificar problemas ainda no início, antes da dor, e orientar a família conforme cada fase.


Odontologia
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