Idade, estabilidade do grau e condições da córnea influenciam a indicação do procedimento; especialista explica as diferenças entre as técnicas e os cuidados na recuperação
Procurar os óculos assim que acorda, lidar com as lentes de contato todos os dias ou ter dificuldade para praticar esportes sem eles. Quem tem miopia, astigmatismo ou hipermetropia conhece bem essas situações. Mas será que é possível ter mais liberdade para enxergar no dia a dia?
Para muitas pessoas, a cirurgia refrativa pode ser uma opção. O procedimento utiliza laser para corrigir o grau e reduzir a dependência dos óculos e das lentes de contato.
Segundo o oftalmologista Paulo Ney Vianna Filho, da clínica CEMES, o primeiro passo é descobrir se os olhos apresentam condições adequadas para a cirurgia. A indicação depende de exames e de uma conversa sobre as necessidades e expectativas de cada paciente.
Avaliação e exames
Ter miopia ou vontade de deixar os óculos de lado não é suficiente para decidir pela cirurgia. É preciso verificar se o grau parou de mudar e se os olhos estão saudáveis.
A avaliação costuma ganhar mais espaço depois dos 21 anos, quando há maior chance de o grau estar estável. Mas completar essa idade não significa estar automaticamente pronto para operar.
Os exames também analisam a córnea, a parte transparente que fica na frente do olho e onde o laser atua. Eles ajudam o médico a responder à pergunta mais importante: é possível corrigir esse grau com segurança?
Por isso, ter um grau alto não descarta automaticamente a cirurgia, assim como ter um grau baixo não garante que ela possa ser feita.
Como funciona a cirurgia
O laser modifica o formato da córnea para ajudar o olho a focalizar melhor as imagens. Existem diferentes maneiras de realizar essa correção, e a escolha depende dos exames e da rotina do paciente.
Na TransPRK, o laser trabalha na superfície da córnea, sem criar uma pequena “aba” no tecido. A aplicação é rápida, mas a recuperação da visão acontece aos poucos. Nos primeiros dias, pode haver ardência, lacrimejamento e sensibilidade à luz.
No LASIK, o médico levanta uma fina camada da córnea para aplicar o laser e depois a reposiciona. A recuperação visual costuma ser mais rápida: muitos pacientes já percebem uma melhora importante nos primeiros dias.
A melhor técnica é aquela que se adapta às condições de cada olho. O tempo de aplicação do laser, sozinho, não determina a qualidade do resultado.
Tempo para voltar à rotina
Essa é uma das principais dúvidas de quem trabalha, estuda ou pratica esportes.
No LASIK, a recuperação visual costuma permitir um retorno mais rápido a algumas atividades. Na TransPRK, pode ser necessário reservar mais dias, e a visão continua melhorando nas semanas seguintes.
Em ambos os casos, é preciso usar os colírios prescritos, evitar coçar os olhos e comparecer às consultas de acompanhamento. O médico orienta quando será possível voltar a dirigir, trabalhar e praticar exercícios.
Vou ficar livre dos óculos para sempre?
O objetivo é diminuir a dependência dos óculos, mas não é possível prometer que eles nunca mais serão necessários.
Pode permanecer um pequeno grau, por exemplo, que faça diferença para dirigir à noite. O grau também pode mudar com o tempo. Além disso, com o passar dos anos, pode surgir a necessidade de óculos para perto, a chamada vista cansada.
Entender essas possibilidades faz parte da preparação para a cirurgia.
Por onde começar?
Se os óculos ou as lentes de contato limitam atividades que você gostaria de fazer com mais liberdade, vale conversar com um oftalmologista sobre a cirurgia refrativa.
A consulta permite esclarecer dúvidas, conhecer as opções e entender o que é possível esperar no seu caso.
“É importante procurar um profissional que se dedique à profissão, estude, participe de congressos, apresente resultados e oriente adequadamente os pacientes”, conclui Paulo Ney.


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