Ortopedista explica os critérios que definem se a lesão pode ser reparada ou se será necessária a remoção parcial da estrutura

Localizados no joelho, os meniscos desempenham um papel fundamental na proteção da articulação, ajudando na estabilização, na absorção de impactos e na distribuição adequada de cargas. “Quando o menisco é perdido, total ou parcialmente, essa proteção fica comprometida. Isso aumenta a sobrecarga na região e abre espaço para o desenvolvimento de processos degenerativos, como a artrose — e esse risco é ainda maior em pacientes mais jovens”, explica o ortopedista.

Sempre que possível, o objetivo do tratamento é preservar o menisco, recorrendo a técnicas de sutura para reparar a lesão. “Nem toda lesão, infelizmente, pode ser suturada. Existem casos em que a ruptura tem um prognóstico ruim para esse tipo de reparo, e a alternativa nessas situações é remover apenas a parte comprometida do menisco, num procedimento chamado meniscectomia parcial”, detalha o médico.

Quando a sutura tem mais chances de dar certo:

  1. Quando o menisco está em boas condições, sem sinais de degeneração — lesões de origem traumática costumam ter melhor prognóstico;
  2. Quando o tamanho da lesão fica entre 1,0 e 4,0 cm, sendo que lesões mais recentes cicatrizam melhor;
  3. Quando a lesão meniscal acontece junto com lesões do ligamento cruzado, o que geralmente favorece a cicatrização;
  4. Quando a ruptura está na chamada zona vermelha, área do menisco com maior irrigação sanguínea;
  5. Em pacientes com até 40 anos, embora a decisão final dependa sempre da avaliação direta da estrutura durante a cirurgia.

“Mesmo reunindo essas condições favoráveis, não existe garantia absoluta de sucesso na sutura. Podem ocorrer falhas ou novas rupturas ao longo do tempo. Ainda assim, quando indicada, a tentativa de preservar o menisco vale a pena”, pontua o especialista.

Já existem alguns cenários em que o prognóstico da sutura costuma ser menos favorável: lesões em pacientes idosos, geralmente associadas a um componente degenerativo mais acentuado; rupturas em áreas do menisco com pouca ou nenhuma irrigação sanguínea; e lesões antigas, que normalmente já vêm acompanhadas de um processo degenerativo do tecido.

“É fundamental orientar bem o paciente sobre as diferenças no pós-operatório entre os dois procedimentos. Nos casos de sutura, a recuperação costuma ser mais longa e exige mais cuidado, com um período maior de afastamento das atividades físicas e mais dedicação do paciente ao processo de reabilitação”, finaliza.