Cardiologista explica os tipos de pressão alta, os riscos de um quadro não controlado e os hábitos que ajudam a manter a doença sob controle
A pressão alta, também chamada de hipertensão arterial, pode se manifestar de duas formas principais. A primária tem origem genética, sendo transmitida por herança familiar, enquanto a secundária surge como consequência de outras condições de saúde que fazem a pressão subir e sair de controle, como doenças renais, distúrbios na tireoide ou alterações nos vasos sanguíneos.
Um dos grandes desafios da hipertensão está justamente na sua discrição. Segundo o cardiologista, trata-se de uma doença silenciosa, pois seus sintomas costumam se confundir com os de outras condições, quando chegam a aparecer. “Dor de cabeça, dor na nuca, vermelhidão no rosto, tontura, alterações na visão, palpitações, falta de ar e cansaço excessivo podem indicar que algo está errado”, relata. Por esse motivo, o médico recomenda que adultos verifiquem a pressão arterial pelo menos duas vezes ao ano, além de sempre que perceberem algum desses sinais.
Mesmo atualmente, a hipertensão segue sendo uma das principais causas de morte ligadas a doenças cardiovasculares. De acordo com o doutor Gilberto, quando o quadro não é bem administrado, pode desencadear um AVC, o popular derrame, além de outras complicações sérias, como insuficiência renal, aneurismas, doença coronariana, infarto e insuficiência cardíaca, condição também conhecida como coração aumentado.
A doença não afeta apenas adultos: estima-se que cerca de 5% das crianças e adolescentes também convivam com hipertensão. “Quando há casos na família, vale a pena redobrar a atenção e aproveitar qualquer chance para aferir a pressão dos pequenos, seja numa consulta com o pediatra ou com o clínico geral”, aconselha o médico.
O tratamento da hipertensão costuma envolver o uso de medicamentos, que precisam ser administrados de maneira contínua e regular. O cardiologista faz questão de frisar um ponto essencial: a medicação jamais deve ser interrompida ou modificada por iniciativa própria, sem o conhecimento do médico responsável.
Além do uso correto dos remédios, o especialista cita uma série de práticas que contribuem para o controle da pressão arterial: diminuir a quantidade de sal na alimentação, praticar exercícios físicos com frequência, manter o peso sob controle, evitar o cigarro, moderar o consumo de bebidas alcoólicas e cuidar do estresse cotidiano. Ele também menciona que certos alimentos e bebidas podem auxiliar nesse processo, como o chá de hibisco, o suco de maracujá e infusões de camomila ou cidreira.
Doutor Gilberto pondera que, quando existe predisposição genética na família, torna-se muito difícil impedir totalmente o surgimento da hipertensão, já que escapar da herança genética é praticamente impossível. Ainda assim, ele ressalta que é possível adiar seu aparecimento e tornar a doença mais branda quando ela se manifestar. “Cada mudança de hábito e cada cuidado que conseguirmos somar à nossa rotina vão contribuir para retardar a doença e fazer com que ela surja de um jeito mais suave. No final, tudo se resume a buscar uma vida saudável em todos os aspectos possíveis”, conclui o médico.

