Ao longo dos anos de consultório, uma das queixas que mais escuto é: “não sei o que está acontecendo comigo, mas não consigo parar de me preocupar.” E é sobre isso que quero falar hoje: a ansiedade, um dos temas mais presentes na minha prática clínica atualmente.

Antes de tudo, é importante desfazer um mito: a ansiedade em si não é uma vilã. Ela é um mecanismo natural e até necessário, que nos ajuda a antecipar riscos e nos preparar para desafios. O problema surge quando esse alarme interno começa a disparar sem necessidade real, de forma constante, e passa a atrapalhar a vida da pessoa em vez de protegê-la. É aí que estamos diante de um transtorno de ansiedade.

Os sinais que costumo observar

Um equívoco comum é pensar que ansiedade se resume à preocupação excessiva. Na prática, vejo que ela se manifesta muito no corpo. Taquicardia, tensão muscular, dores de cabeça, sensação de falta de ar, problemas digestivos e insônia são queixas frequentes dos meus pacientes — e muitos deles já passaram por diversos médicos antes de chegar até mim, sem saber que a origem de tudo era emocional.

No campo psicológico, os sinais que mais aparecem são: preocupação constante e difícil de controlar, irritabilidade, dificuldade de concentração, uma sensação permanente de estar “no limite” e, em muitos casos, a evitação de situações que geram desconforto. Essa evitação, aliás, é um dos pontos que mais me preocupam, porque tende a levar ao isolamento social e a prejudicar tanto a vida profissional quanto a pessoal.

De onde vem a ansiedade

Não existe uma causa única para o desenvolvimento de um transtorno de ansiedade. Na minha experiência clínica, o que vejo é uma combinação de fatores: histórico familiar, experiências de vida marcantes, traços de personalidade e também o estilo de vida atual — excesso de trabalho, uso abusivo de telas, sono inadequado.

Não posso deixar de mencionar também o contexto em que vivemos. Vivemos numa sociedade que cobra produtividade constante e estimula a comparação social o tempo todo. As redes sociais, a pressão por resultados e essa sensação de que sempre precisamos fazer mais têm, na minha visão, um peso real no aumento dos casos de ansiedade que tenho atendido, especialmente entre os pacientes mais jovens.

O que costumo recomendar

A boa notícia — e essa eu repito bastante no consultório — é que a ansiedade tem tratamento, e a maioria das pessoas apresenta melhora significativa quando busca ajuda especializada. A psicoterapia é uma das minhas principais ferramentas de trabalho, especialmente abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental, que ajuda o paciente a identificar e reestruturar os padrões de pensamento que alimentam a ansiedade. Em alguns casos, também recomendo acompanhamento psiquiátrico, quando avalio que a medicação pode ajudar no processo.

Fora do consultório, oriento sempre pequenas mudanças de rotina que fazem diferença: atividade física regular, técnicas de respiração e relaxamento, cuidado com a qualidade do sono e redução do consumo de estimulantes como a cafeína.

Se tem uma coisa que gostaria que você levasse deste texto, é isso: pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Pelo contrário, é um dos atos de coragem e autocuidado mais importantes que alguém pode ter. A ansiedade, quando não tratada, tende a se agravar e comprometer diversas áreas da vida. Se você reconheceu alguns desses sinais em si mesmo, talvez seja o momento de conversar com um profissional.