Especialista explica como a reabilitação pode devolver qualidade de vida a pessoas de diferentes idades que convivem com a perda involuntária de urina

A fisioterapia é uma área da saúde dedicada à prevenção, promoção e reabilitação, sempre embasada em evidências científicas. Dentro dessa ciência, um dos campos que vem ganhando destaque é a fisioterapia pélvica, especialidade voltada ao tratamento da incontinência urinária — condição que pode afetar homens e mulheres de todas as idades, incluindo crianças e idosos.

Segundo a fisioterapeuta pélvica Sabrina Vargas, a incontinência urinária pode ser definida como qualquer perda de urina, seja ela perceptível ao paciente ou não. “É uma condição muito incômoda de se conviver, e que acaba limitando a forma como a pessoa se relaciona socialmente, tirando dela a segurança e a tranquilidade no dia a dia”, explica.

De acordo com a especialista, existem diversos recursos terapêuticos disponíveis para tratar a condição. Um deles é o treinamento dos músculos do assoalho pélvico, feito por meio de exercícios específicos que ajudam o paciente a identificar essa musculatura e trabalhar de forma individualizada a disfunção apresentada. Outra ferramenta bastante utilizada é o biofeedback eletromiográfico, técnica que, por meio de sinais visuais ou sonoros, permite acompanhar em tempo real a atividade elétrica das fibras musculares da região. Esse recurso ajuda o paciente a reconhecer melhor os músculos envolvidos, aumentar a percepção sensorial e recuperar a coordenação e o controle motor voluntário — fatores que contribuem diretamente para a melhora dos sintomas urinários.

A eletroestimulação também é amplamente empregada no fortalecimento da musculatura pélvica, podendo ser realizada de forma percutânea ou invasiva. A técnica auxilia no ganho de força e coordenação muscular, além de ajudar a inibir contrações indesejadas da bexiga. Já os cones vaginais, pequenos pesos que variam entre 20g e 100g, são usados no treinamento funcional dessa musculatura durante atividades do cotidiano: o cone é inserido na vagina por cerca de 15 a 20 minutos enquanto a paciente caminha, gerando uma sensação de que o objeto pode escapar — o que estimula naturalmente a contração dos músculos do assoalho pélvico.

Além dos recursos físicos, a terapia comportamental também compõe o tratamento, orientando o paciente sobre a quantidade ideal de líquidos a ingerir ao longo do dia e da noite, quais alimentos e bebidas podem irritar a bexiga, e como estabelecer intervalos regulares entre as idas ao banheiro.

Sabrina reforça que nenhuma dessas técnicas provoca dor no paciente. “Hoje em dia, a combinação entre fisioterapia pélvica e terapia comportamental é vista como a primeira opção no tratamento da incontinência urinária. Só depois disso é que entram os medicamentos, a toxina botulínica e, em último caso, a cirurgia”, conclui.